Em 1846, numa altura em que se desconhecia o paradeiro da primeira
bandeira e pouco tempo depois da reforma que criou a Escola Naval, a
rainha Dona Maria II oferecia à Companhia de Guardas-Marinhas uma nova
bandeira que formou pela primeira vez na cerimónia ocorrida na Sala do
Risco, a 28 de Outubro de 1846, quando o infante D. Luís (futuro rei D.
Luis I) foi nomeado Guarda-Marinha e apresentado à Companhia. A nova
bandeira da Companhia começa por merecer a honra de ter sido
(eventualmente) bordada pela própria Rainha e assume o carácter de uma
dádiva maternal que associa simbolicamente os Guardas-Marinhas a um
grupo de filhos prediletos da soberana.
É feita de
dois panos carmesim (a cor real) de damasco de seda lavrada,
sobrepostos, com 1,08 metros à tralha e 1,10 metros de largura. De um
dos lados tem a imagem de Nossa Senhora da Conceição, reforçando
simbolicamente a ideia de uma protecção maternal sobre a Companhia de
Guardas-Marinhas. Na outra face da bandeira está o escudo nacional, com
as cinco quinas (de cinco besantes) sobre uma base oval tecida em fio de
prata, cercada por uma moldura com os sete castelos e com a coroa de
Bragança (coroa real) sobreposta. Esta parte está assente sobre duas
âncoras cruzadas sobre uma coroa de loureiro, árvore simbólica que não
perde as folhas no inverno, associada, por isso, à imortalidade e à
vitória. Todos os bordados e as orlas da bandeira são em fio de ouro e
mostram bem o empenho de D. Maria II quando a ofereceu à Companhia. Este
estandarte que ainda hoje é propriedade da Escola Naval, acompanhou a
Companhia de Guardas-Marinhas enquanto existiu. Foi transferido para o
Corpo de Alunos da Armada e só deixou de estar presente nas respectivas
ce- rimónias em 1910, quando a implantação da República afastou os
símbolos do anterior regime.
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