"José Pereira de Oliveira Pavão" TTenente do 5* C. C. G. N., Oliveira Paváo
MERDA DE IA NEM SABE O QUE É ISSO ESTOU AQUI APANHANDO PRA SABER
Cuidado pois possui um homonimo (filho? neto?). Porto Alegre 29 de maio de 1895.
https://hemeroteca-pdf.bn.gov.br/388653/per388653_1895_00126.pdf
https://hemeroteca-pdf.bn.gov.br/388653/per388653_1914_00233.pdf
5° C. C. G. N., = 5º Comando do Corpo da Guarda Nacional
= 5° Corpo Provisório de Cavallaria da Guarda Nacional
S. Antônio da Patrulha, (https://genealogialucianaleal.wordpress.com/wp-content/uploads/2018/06/genetrop6.pdf)
filho de Antônio da Costa Pavão?
Carretas, boiadas, "cavalhadas "
.!
mais precisamente
5° Corpo Provisório de Cavallaria da Guarda nacional
* mJ;-Tenente José Pereira de Oliveira Pavão,
rifem Florencio da Trindade. 1- sargento Manoel
A ^Mattos, cabo José Ferreira dos ossos sol-
dados Virissimo Antônio da Silva, S.mphcar.o Jos
https://hemeroteca-pdf.bn.gov.br/215481/per215481_1867_01290.pdf
https://archive.org/details/aos-martires-da-patria_202601
https://archive.org/details/009906-completo/page/n13/mode/2up?q=%22Oliveira+Pav%C3%A3o%22
Santa Maria Rio Grande do Sul
- Jose Pereira de Oliveira Pavao,com duas leguas de campo e 1.300 rezes. 73 - Jeronimo Pereira de Oliveira Pavao F°, criava em campos de Jose Pereira de Oliveira Pavao, 250 rezes. 14 - Matilde da Costa Pavao, em uma legua de campo criava 460 reses. 75 - Joaquim Pompeu de Toledo, com uma e meia legua de campo e 1.350 rezes. 76 - Joao Alves do Oliveira, criava 400 rezes. 77 - Joaquim da Costa Pavao, criava 300 rezes.
Genealogia Tropeira - Vol 6
https://archive.org/details/GenealogiaTropeiraVolume62008_201905/page/n11/mode/2up?q=Pav%C3%A3o
https://archive.org/details/pdf03_202601
entro deste livro
Atlas historico da guerra do Paraguay
Jourdan, Emilio Carlos, 1838-1900
https://www.facebook.com/watch/?v=2195952163765719
https://www.facebook.com/Bandas.Fanfarras/videos/1042545241028294/
Nuestra Señora De Montserrat,patrona De Cataluña, Coronada Solemnemente Por
https://archive.org/details/nuestra-senora-de-montserratpatrona-de-cataluna-coronada-solemnemente-por
https://datos.bne.es/persona/XX1026522.html
https://www.facebook.com/Bandas.Fanfarras/videos/1042545241028294/
https://www.facebook.com/ZaragozaOle/videos/1532379790175222/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Aos_m%C3%A1rtires_da_p%C3%A1...
https://archive.li/ieJk1#selection-69.0-69.18
https://bnedigital.bne.es/bd/es/results?y=s&o=&w=Guerra+Del+Paraguay&f=ficha&o=&w=&f=texto_ficha&g=ws
https://bnedigital.bne.es/bd/es/results?y=s&o=&w=Atlas+Historico+da+Guerra+do+Paraguay&f=ficha&o=&w=&f=texto_ficha&g=ws
Guerra do Paraguai https://archive.li/ieJk1 em 08 de dezembro de 2020
Parte da(o) Questão do Prata
Escenas de la Guerra de la Triple Alianza.png
Compilação de imagens da Guerra do Paraguai.
Data 27 de dezembro de 1864 a 8 de abril de 1870
Local América do Sul
Desfecho Vitória da Tríplice Aliança
Combatentes
Brasil
Argentina
Uruguai Paraguai
Co-Beligerante:
Flag of Artigas.svg Partido Federal[carece de fontes]
Líderes e comandantes
Pedro II do Brasil
Marquês de Caxias
Marquês do Herval
Barão do Amazonas
Conde d'Eu
Bartolomé Mitre
Venancio Flores Solano López †
José E. Díaz †
Domingo Sánchez †
Forças
200 000
Argentina 30 000
Uruguai 5 583
150 000
Vítimas
100 000
Argentina 30 000
Uruguai 10 000
(entre militares e civis) ~ 300 000
(entre militares e civis)
Ao todo, 440 000 mortos.
Guerra
do Paraguai foi o maior conflito armado internacional ocorrido na
América do Sul.[1] Foi travada entre o Paraguai e a Tríplice Aliança,
composta pelo Brasil, Argentina e Uruguai.[2] A guerra estendeu-se de
dezembro de 1864 a março de 1870. É também chamada Guerra da Tríplice
Aliança (Guerra de la Triple Alianza), na Argentina e no Uruguai, e de
Guerra Grande, no Paraguai.[1][3]
Em 1864, o Brasil estava envolvido
num conflito armado no Uruguai, que pôs fim à Guerra do Uruguai ao depor
o governo interino uruguaio de Atanasio Aguirre (sucessor de Bernardo
Prudencio Berro), do Partido Blanco e aliado de Francisco Solano López. O
ditador paraguaio se opôs à invasão brasileira do Uruguai, porque
contrariava seus interesses. O conflito iniciou-se com o aprisionamento
no porto de Assunção, em 11 de novembro de 1864, do barco a vapor
brasileiro Marquês de Olinda, que transportava o presidente da província
de Mato Grosso, Frederico Carneiro de Campos, que nunca chegou a
Cuiabá, morrendo em uma prisão paraguaia. Seis semanas depois, o
exército do Paraguai sob ordens de Francisco Solano López invadiu pelo
sul a província brasileira de Mato Grosso. Antes da intervenção
brasileira no Uruguai, Solano López já vinha produzindo material bélico
moderno, em preparação para um futuro conflito com a Argentina mitrista,
e não com o Império.[4] Solano López alimentava o sonho expansionista e
militarista de formar o Grande Paraguai, que abrangeria as regiões
argentinas de Corrientes e Entre Rios, o Uruguai, o Rio Grande do Sul, o
Mato Grosso e o próprio Paraguai. Objetivando a expansão imperialista,
Solano López instalou o serviço militar obrigatório, organizou um
exército de 80 000 homens, reaparelhou a Marinha e criou indústrias
bélicas.
Em maio de 1865, o Paraguai também fez várias incursões
armadas em território argentino, com objetivo de conquistar o Rio Grande
do Sul. Contra as pretensões do governo paraguaio, o Brasil, a
Argentina e o Uruguai reagiram, firmando o acordo militar chamado de
Tríplice Aliança. O Império do Brasil, Argentina mitrista e Uruguai
florista, aliados, derrotaram o Paraguai após mais de cinco anos de
lutas durante os quais o Império enviou em torno de 150 mil homens à
guerra. Cerca de 50 mil não voltaram — alguns autores[quem?] asseveram
que as mortes no caso do Brasil podem ter alcançado 60 mil se forem
incluídos civis, principalmente nas então províncias do Rio Grande do
Sul e de Mato Grosso. Argentina e Uruguai sofreram perdas
proporcionalmente pesadas — mais de 50% de suas tropas faleceram durante
a guerra — apesar de, em números absolutos, serem menos significativas.
Já as perdas humanas sofridas pelo Paraguai são calculadas em até 300
mil pessoas, entre civis e militares, mortos em decorrência dos
combates, das epidemias que se alastraram durante a guerra e da fome.
A
derrota marcou uma reviravolta decisiva na história do Paraguai,
tornando-o um dos países mais atrasados da América do Sul, devido ao seu
decréscimo populacional, ocupação militar por quase dez anos, pagamento
de pesada indenização de guerra, no caso do Brasil até a Segunda Guerra
Mundial, e perda de praticamente 40% do território em litígio para o
Brasil e Argentina. No pós-guerra, o Paraguai manteve-se sob a hegemonia
brasileira.[5] Foi o último de quatro conflitos armados internacionais,
na chamada Questão do Prata, em que o Império do Brasil lutou, no
século XIX, pela supremacia sul-americana, tendo o primeiro sido a
Guerra da Cisplatina, o segundo a Guerra do Prata e o terceiro a Guerra
do Uruguai.
Índice [esconder]
1 Causas da guerra
2 Ofensiva paraguaia (1864–1865)
2.1 Invasão do Brasil e Argentina
2.2 A primeira reação brasileira
2.3 O Tratado da Tríplice Aliança
2.4 Recaptura de Corrientes
2.5 Batalha do Riachuelo
2.6 Invasão do Rio Grande do Sul
3 Contra-ataque aliado (1865-66)
3.1 Rendição de Uruguaiana e recuo paraguaio
3.2 Invasão do Paraguai
4 Estagnação (1866-1868)
4.1 Comando de Caxias
5 Aliados retomam a ofensiva (1868-1869)
5.1 Tomada de Humaitá
5.2 Dezembrada
6 Caça a Solano López (1869-1870)
6.1 Comando do Conde d'Eu
7 Consequências
7.1 Mortalidade
7.2 Pós-guerra
7.3 Conclusões
8 Troféus de guerra
9 Na cultura popular
9.1 Romances
9.2 Filmes
10 Historiografia
11 Ver também
12 Referências
12.1 Bibliografia
13 Ligações externas
Causas da guerra
Ver artigo principal: Causas da Guerra do Paraguai
Disputas territoriais na região platina (1864)
Após
o término da Guerra do Prata em 1852 com a vitória dos aliados
(unitaristas argentinos, colorados uruguaios e Império do Brasil) sobre
os federalistas argentinos e blancos uruguaios liderados por Juan Manuel
de Rosas, a região do Prata foi pacificada. Contudo, não tardou para
que logo as rivalidades se acirrassem entre a Argentina, Brasil, Uruguai
e Paraguai graças aos desentendimentos quanto às fronteiras entre os
países,[6] a liberdade de navegação dos rios platinos,[6] as disputas
pelo poder por parte das facções locais (federalistas e unitaristas na
Argentina, e blancos e colorados no Uruguai) e rivalidades históricas de
mais de três séculos.[7][8][9][10][11] O historiador Francisco
Doratioto conclui:
“ A Guerra do Paraguai foi fruto das
contradições platinas tendo como razão última a consolidação dos Estados
nacionais na região. Essas contradições se cristalizaram em torno da
Guerra Civil uruguaia, iniciada com o apoio do governo argentino aos
sublevados, na qual o Brasil interveio e o Paraguai também. Contudo,
isso não significa que o conflito fosse a única saída para o difícil
quadro regional. A guerra era umas das opções possíveis, que acabou por
se concretizar, uma vez que interessava a todos os Estados envolvidos.
Seus governantes, tendo por bases informações parciais ou falsas do
contexto platino e do inimigo em potencial, anteviram um conflito
rápido, no qual seus objetivos seriam alcançados com o menor custo
possível. Aqui não há ‘bandidos’ ou ‘mocinhos’, como quer o revisionismo
infantil, mas sim interesses. A guerra era vista por diferentes
ópticas: para Solano López era a oportunidade de colocar seu país como
potência regional e ter acesso ao mar pelo porto de Montevidéu, graças a
aliança com os blancos uruguaios e os federalistas argentinos,
representados por Urquiza; para Bartolomeu Mitre era a forma de
consolidar o Estado centralizado argentino, eliminando os apoios
externos aos federalistas, proporcionado pelos blancos e por Solano
López; para os blancos, o apoio militar paraguaio contra argentinos e
brasileiros viabilizaria impedir que seus dois vizinhos continuassem a
intervir no Uruguai; para o Império, a guerra contra o Paraguai não era
esperada, nem desejada, mas, iniciada, pensou-se que a vitória
brasileira seria rápida e poria fim ao litígio fronteiriço entre os dois
países e às ameaças à livre navegação, e permitira depor Solano López.
”
“ Dos erros de análise dos homens de Estado envolvidos
nesses acontecimentos, o que maior consequência teve foi o de Solano
López, pois seu país viu-se arrasado materialmente no final da guerra.
E, recorde-se, foi ele o agressor, ao iniciar a guerra contra o Brasil
e, em seguida, com a Argentina.[12] ”
Ofensiva paraguaia (1864–1865)
Ver artigo principal: Aprisionamento do vapor Marquês de Olinda
Carneiro de Campos, prisioneiro de López.
Em
represália à intervenção no Uruguai, no dia 11 de novembro de 1864,
Francisco Solano López ordenou que fosse apreendido o navio brasileiro
Marquês de Olinda.[13] No dia seguinte, o navio a vapor paraguaio
Tacuari apresou o navio brasileiro, que subia o rio Paraguai rumo à
então Província de Mato Grosso, levando a bordo o coronel Frederico
Carneiro de Campos, recém-nomeado presidente daquela província e o
médico Antônio Antunes da Luz, entre outros. A tripulação e os
passageiros foram feitos prisioneiros e enviados à prisão, onde todos,
sem exceção, sucumbiram à fome e aos maus tratos.
Sem perda de tempo,
as relações com o Brasil foram rompidas e já no mês de dezembro o sul
de Mato Grosso, atual Mato Grosso do Sul, foi invadido, antes mesmo de
qualquer declaração formal de guerra ao Brasil, que só foi feita no dia
13 de dezembro. Três meses mais tarde, em 18 de março de 1865, López
declarou guerra à Argentina, que exigia neutralidade no conflito e não
permitia que os exércitos paraguaios atravessassem seu território para
combater no Uruguai e invadir o sul do Brasil.[13] Quando as notícias
dos acontecimentos começavam a chegar a Dom Pedro II e seu ministério no
Rio de Janeiro, capital do Império, em março de 1865 as tropas de
Solano López penetraram em Corrientes (Argentina), visando o Rio Grande
do Sul e o Uruguai, onde esperavam encontrar apoio dos blancos. O
Uruguai, já então governado por Venâncio Flores, instalado pelo Governo
Imperial brasileiro, solidarizou-se com o Brasil e a Argentina.
Invasão do Brasil e Argentina
Francisco Solano López, ditador do Paraguai.
Ver artigos principais: Campanha do Mato Grosso e Campanha de Corrientes
Durante
a primeira fase da guerra (1864–1865) a iniciativa esteve com os
paraguaios. Os exércitos de López definiram as três frentes de batalha
iniciais invadindo Mato Grosso, em dezembro de 1864, e, nos primeiros
meses de 1865, primeiro houve a Invasão de Corrientes e depois a do Rio
Grande do Sul. Atacando, quase ao mesmo tempo, no norte (Mato Grosso) e
no sul (Rio Grande e Corrientes), os paraguaios estabeleceram dois
teatros de operações.
A invasão de Mato Grosso foi feita ao mesmo
tempo por dois corpos de tropas paraguaias. A província achava-se quase
desguarnecida militarmente, e a superioridade numérica dos invasores
permitiu-lhes realizar uma campanha rápida e bem-sucedida.
Um
destacamento de cinco mil paraguaios, transportados em dez navios e
comandados pelo coronel Vicente Barros, subiu o rio Paraguai e atacou o
Forte de Nova Coimbra. A guarnição de 155 homens resistiu durante três
dias, sob o comando do tenente-coronel Hermenegildo de Albuquerque Porto
Carrero, depois barão de Forte de Coimbra. Quando as munições se
esgotaram, os defensores abandonaram a fortaleza e se retiraram, rio
acima, a bordo da canhoneira Anhambaí, em direção a Corumbá. Depois de
ocupar o forte já vazio, os paraguaios avançaram rumo ao norte, tomando,
em janeiro de 1865, as cidades de Albuquerque e de Corumbá.
A
segunda coluna paraguaia, comandada pelo coronel Francisco Isidoro
Resquin e integrada por quatro mil homens, penetrou, por terra, em uma
região mais ao sul de Mato Grosso, e logo enviou um destacamento para
atacar a colônia militar fronteiriça de Dourados. O cerco, dirigido pelo
major Martín Urbieta, encontrou brava resistência por parte do tenente
Antônio João Ribeiro, atual patrono do Quadro Auxiliar de Oficiais, e de
seus 16 companheiros, que morreram sem se render (29 de dezembro de
1864). Os invasores prosseguiram até Nioaque e Miranda, derrotando as
tropas do coronel José Dias da Silva. Enviaram em seguida um
destacamento até Coxim, tomada em abril de 1865.
Oficial de cavalaria
brasileiro (a esq.) e soldado paraguaio aprisionado (a dir.), entre
1865 e 1868. As vestimentas dos militares paraguaios eram precárias e
praticamente todos andavam descalços.
As forças paraguaias, apesar
das vitórias obtidas, não continuaram sua marcha até Cuiabá, a capital
da província, onde o ataque inclusive era esperado — João Manuel
Leverger havia fortificado o acampamento de Barão de Melgaço para
proteger Cuiabá. O principal objetivo da invasão de Mato Grosso foi
distrair a atenção do governo brasileiro para o norte do Paraguai,
quando a decisão da guerra se daria no sul (região mais próxima do
estuário do Prata). É o que se chama de uma manobra diversionista,
destinada a iludir o inimigo.
A invasão de Corrientes e do Rio Grande
do Sul foi a segunda etapa da ofensiva paraguaia. Para levar apoio aos
blancos, no Uruguai, as forças paraguaias tinham que atravessar
território argentino. Em março de 1865, López pediu ao governo argentino
autorização para que o exército comandado pelo general Venceslau
Robles, com cerca de 25 mil homens, atravessasse a província de
Corrientes. O presidente Bartolomeu Mitre, aliado do Brasil na
intervenção no Uruguai, negou-lhe a permissão. Em resposta a esta
negativa, no dia 18 de março de 1865, o Paraguai declarou guerra à
Argentina.
Na sexta-feira de 13 de abril de 1865, uma esquadra
paraguaia de cinco belonaves, descendo o rio Paraná, aprisionou navios
argentinos no porto fluvial de Corrientes. Em seguida, as tropas do
general Robles tomaram a cidade. Ao invadir Corrientes, López pensava
obter o apoio do poderoso caudilho argentino General Justo José de
Urquiza, governador das províncias de Corrientes e Entre Ríos, chefe
federalista hostil a Mitre e ao governo de Buenos Aires. A invasão da
Argentina por López, entretanto, teve efeito oposto. Urquiza e outros
federalistas argentinos simpatizavam com os blancos uruguaios. O
assassinato do General blanco Leandro Gómez pelos colorados após a sua
heróica defesa de Payssandú do ataque dos brasileiros e colorados em
janeiro de 1865 causou ressentimentos nos federalistas argentinos. As
ações de López deram aos federalistas argentinos apenas duas opções:
lutar contra o invasor ou continuar neutros. Urquiza, inicialmente,
prometeu lutar contra López. A atitude ambígua assumida por Urquiza,
entretanto, manteve estacionadas as tropas paraguaias, que avançaram
posteriormente cerca de 200 quilômetros em direção ao sul, mas
terminaram por perder a ofensiva.
Em ação conjugada com as forças de
Robles, uma tropa de dez mil homens sob as ordens do tenente-coronel
Antonio de la Cruz Estigarribia cruzou a fronteira argentina ao sul de
Encarnación, em maio de 1865, dirigindo-se para o Rio Grande do Sul.
Atravessou-o no rio Uruguai na altura da vila de São Borja e a tomou em
12 de junho. Uruguaiana, mais ao sul, foi tomada em 5 de agosto sem
apresentar qualquer resistência significativa ao avanço paraguaio.
A primeira reação brasileira
Uniformes da cavalaria e infantaria do exército paraguaio.
Ver artigo principal: A retirada da Laguna
A
primeira reação brasileira foi enviar uma expedição para combater os
invasores em Mato Grosso. A coluna de 2 780 homens comandados pelo
coronel Manuel Pedro Drago saiu de Uberaba, em Minas Gerais, em abril de
1865, e só chegou a Coxim em dezembro do mesmo ano, após uma difícil
marcha de mais de dois mil quilômetros através de quatro províncias do
Império. Mas encontrou Coxim já abandonada pelo inimigo. O mesmo
aconteceu em Miranda, onde chegou em setembro de 1866. Em janeiro de
1867, o coronel Carlos de Morais Camisão assumiu o comando da coluna,
reduzida a 1 680 homens, e decidiu invadir o território paraguaio, onde
penetrou até Laguna, em abril. Perseguida pela cavalaria inimiga, a
coluna foi obrigada a recuar, ação que ficou conhecida como a retirada
da Laguna.
Apesar dos esforços da coluna do coronel Camisão e da
resistência organizada pelo presidente da província, que conseguiu
libertar Corumbá em junho de 1867, a região invadida permaneceu sob o
controle dos paraguaios. Só em abril de 1868 é que os invasores se
retiraram, transferindo as tropas para o principal teatro de operações,
no sul do Paraguai.
O Tratado da Tríplice Aliança
Cabo brasileiro desconhecido que pertencia ao 1.º Batalhão de Voluntários da Pátria, infantaria pesada,1865.
No
dia 1.º de maio de 1865, o Brasil, a Argentina e o Uruguai assinaram,
em Buenos Aires, o Tratado da Tríplice Aliança, contra o Paraguai.
As
forças militares da Tríplice Aliança eram, no início da guerra,
francamente inferiores às do Paraguai, que contava com mais de 60 mil
homens e uma esquadra de 23 vapores e cinco navios apropriados à
navegação fluvial. Sua artilharia possuía cerca de 400 canhões.
As
tropas reunidas do Brasil, da Argentina e do Uruguai, prontas a entrar
em ação, não chegavam a 1/3 das paraguaias. A Argentina dispunha de
aproximadamente 8 mil soldados e de uma esquadra de quatro vapores e uma
goleta. O Uruguai entrou na guerra com menos de três mil homens e
nenhuma unidade naval. O Brasil possuía menos de 12 mil soldados
treinados.[14] A vantagem dos brasileiros estava em sua marinha de
guerra: 42 navios com 239 bocas de fogo e cerca de quatro mil homens bem
treinados na tripulação. E grande parte da esquadra já se encontrava na
bacia do Prata, onde havia atuado, sob o comando do Marquês de
Tamandaré, na intervenção contra Aguirre.
Na verdade, o Brasil
achava-se despreparado para entrar em uma guerra. Apesar de sua
imensidão territorial e densidade populacional, o Brasil tinha um
exército mal-organizado e muito pequeno. E, na verdade, tal situação era
reflexo da organização escravista da sociedade, que, marginalizando a
população livre não proprietária, dificultava a formação de um exército
com senso de responsabilidade, disciplina e patriotismo. Além disso, o
serviço militar era visto como um castigo sempre a ser evitado e o
recrutamento era arbitrário e violento. As tropas utilizadas até então
nas intervenções feitas no Prata eram constituídas basicamente pelos
contingentes armados de chefes políticos gaúchos e por alguns efetivos
da Guarda Nacional. Um reforço era, portanto, necessário. Para garantir
um número de soldados suficientes o governo criou os batalhões de
Voluntários da Pátria, cidadãos que se apresentavam para lutar
inicialmente instigados pelo sentimento patrióticos, mas com o passar do
tempo recrutados à força.[14] Muitos eram escravos enviados por
fazendeiros e negros alforriados. A cavalaria era formada pela Guarda
Nacional do Rio Grande do Sul.
Segundo o Tratado da Tríplice Aliança,
o comando supremo das tropas aliadas caberia a Bartolomeu Mitre,
presidente da Argentina. E foi assim na primeira fase da guerra.
Recaptura de Corrientes
Uma
pequena força de 3 846 homens sob o comando do General Wenceslao
Paunero observou a atividade do inimigo. Percebendo que os paraguaios
haviam deixado Corrientes deficientemente protegida ao marcharem para a
margem leste do rio, o General embarcou suas tropas argentinas,
juntamente com 364 brasileiros e 500 mercenários europeus, na esquadra
brasileira, subiu o Rio Paraná e, em 25 de maio (o feriado nacional
argentino) recapturaram Corrientes após árdua luta.
López
imediatamente mandou tropas para retomar a cidade, enquanto as tropas
incursoras recuavam, tendo mantido Corrientes por menos de vinte e
quatro horas. A vitória aliada, apesar de efêmera, serviu para levantar o
moral. O ataque também demonstrou a López a vulnerabilidade das linhas
de comunicação de seu exército invasor.
Batalha do Riachuelo
Ver artigo principal: Batalha Naval do Riachuelo
A Batalha do Riachuelo retratada por Eduardo de Martino.
Foi
no setor naval que o Brasil, mais bem preparado, infligiu, logo no
primeiro ano de guerra, uma pesada derrota aos paraguaios na batalha do
Riachuelo.
Na bacia do rio da Prata as comunicações eram feitas pelos
rios; quase não havia estradas. Quem controlasse os rios ganharia a
guerra. Todas as fortalezas paraguaias tinham sido construídas nas
margens do baixo curso (parte do rio perto de sua foz) do rio Paraguai.
Em
11 de junho de 1865, no rio Paraná, travou-se a Batalha Naval do
Riachuelo, na qual a esquadra comandada pelo chefe de divisão Francisco
Manuel Barroso da Silva derrotou a esquadra paraguaia, comandada por
Pedro Inacio Meza, cortando as comunicações com o tenente-coronel
paraguaio Antonio de la Cruz Estigarribia, que estava atacando o Rio
Grande do Sul. A vitória do Riachuelo teve notável influência nos rumos
da guerra: impediu a invasão da província argentina de Entre Ríos,
destruiu o poderio naval paraguaio (tornando-se impossível a permanência
dos paraguaios em território argentino) e cortou a marcha, até então
triunfante, de López. Ela praticamente decidiu a guerra em favor da
Tríplice Aliança, que passou a controlar, a partir de então, os rios da
bacia platina até a entrada do Paraguai. Desse momento até a derrota
final, o Paraguai teve de recorrer à guerra defensiva.
Invasão do Rio Grande do Sul
Ver artigo principal: Invasão do Rio Grande do Sul
Uma
unidade de cavalaria paraguaia (à esquerda) é atacada por um soldado
montado aliado (à direita). Após os primeiros anos de guerra, os
paraguaios eram obrigados a comer seus cavalos para sobreviverem. Nos
últimos anos do conflito, também faltavam homens[15].
Simultaneamente
ao ataque naval, uma força de 10 000 paraguaios atravessou a província
argentina das Missões. Alcançando o Rio Uruguai, a força se dividiu em
duas colunas e rumaram para o sul, marchando em ambas as margens do rio.
O tenente-coronel Antonio de la Cruz Estigarribia, o comandante geral,
liderou cerca de 7 500 homens na margem leste, e o Major Pedro Duarte
comandou 5 500 homens na margem oeste. Os paraguaios encontraram pouca
resistência dos argentinos na margem oeste ou dos brasileiros na margem
leste. López acreditava que se conseguisse controlar o Rio Grande do Sul
e invadir o Uruguai, os escravos brasileiros iriam sublevar-se e os
recém expulsos blancos uruguaios voltariam a pegar em armas. Além disso,
emissários paraguaios incitaram a sedição entre as tropas irregulares
formadas por Urquiza em Entre Ríos. Urquiza, que havia recebido o
comando da vanguarda aliada, voluntariou-se para retornar à província e
restaurar a ordem. Em vez disso, ele retornou ao seu rancho, aumentou
sua fortuna vendendo cavalos aos aliados, e as tropas irregulares
desertaram para suas fazendas e ranchos.
O Coronel Estigarribia
atravessou o Rio Uruguai e ocupou sucessivamente, de junho a agosto, as
povoações de São Borja, Itaqui e Uruguaiana. Os contatos com o Major
Duarte foram interrompidos pelo assédio de duas embarcações armadas
brasileiras, comandadas pelo Tenente Floriano Peixoto, e pelo pântano
que os separavam.
O presidente uruguaio Flores decidiu atacar a menor
das forças paraguaias. Em 17 de agosto, na batalha de Jataí, na margem
direita do rio Uruguai, a coluna sob as ordens do major Pedro Duarte, a
qual pretendia chegar ao Uruguai, foi detida por Flores.
Contra-ataque aliado (1865-66)
Rendição de Uruguaiana e recuo paraguaio
Rendição de Uruguaiana (1865), por Victor Meirelles.
Em
16 de julho, o Exército Brasileiro chegou à fronteira do Rio Grande do
Sul e logo depois cercou Uruguaiana. A tropa recebeu reforços e enviou
pelo menos três intimações de rendição a Estigarribia. Em 11 de setembro
Dom Pedro II chegou ao local do cerco, onde já estavam os presidentes
argentino Bartolomé Mitre e uruguaio Venancio Flores, além de diversos
líderes militares, como o Almirante Tamandaré. As forças aliadas do
cerco contavam então com 17346 combatentes, sendo 12 393 brasileiros, 3
802 argentinos e 1 220 uruguaios, além de 54 canhões. A rendição veio em
16 de setembro quando Estigarribia entrou em acordo em relação às
condições exigidas.
Encerrava-se com esse episódio a primeira fase da
guerra, em que Solano López lançara sua grande ofensiva nas operações
de invasão da Argentina e do Brasil. No início de outubro, as tropas
paraguaias de ocupação em Corrientes receberam de López ordem para
retornar a suas bases em Humaitá. Nessa altura, as tropas aliadas
estavam-se reunindo sob o comando de Mitre no acampamento de Concórdia,
na província argentina de Entre Ríos, com o marechal de campo Manuel
Luís Osório à frente das tropas brasileiras. Parte destas deslocou-se
para Uruguaiana, onde foi reforçar o cerco a esta cidade pelo exército
brasileiro no Rio Grande do Sul, comandado pelo tenente-general Manuel
Marques de Sousa, barão e depois Conde de Porto Alegre. Os paraguaios
renderam-se no dia 18 de setembro de 1865.
Nos meses seguintes, as
tropas aliadas, com Mitre como comandante em chefe, libertavam os
últimos redutos paraguaios em território argentino, as cidades de
Corrientes e São Cosme, na confluência dos rios Rio Paraná e Paraguai,
no final de 1865. No fim do ano de 1865, a ofensiva era da Tríplice
Aliança. Seus exércitos já contavam mais de 50 mil homens e se
preparavam para invadir o Paraguai.
Invasão do Paraguai
Ver artigo principal: Campanha de Humaitá
Marechal Osório, Marquês do Herval.
Fortalecidos,
com um efetivo de cinquenta mil homens, os aliados lançaram-se à
ofensiva. A invasão do Paraguai iniciou-se subindo o curso do rio
Paraguai, a partir do Passo da Pátria. Sob o comando do general Manuel
Luís Osório, e com o auxílio da esquadra imperial, transpuseram o rio
Paraná, em 16 de abril de 1866, e conquistaram posição em território
inimigo, em Passo da Pátria, uma semana depois.[13] De abril de 1866 a
julho de 1868, as operações militares concentraram-se na confluência dos
rios Paraguai e Paraná, onde estavam os principais pontos fortificados
dos paraguaios. Durante mais de dois anos o avanço dos invasores foi
bloqueado naquela região, apesar das primeiras vitórias da Tríplice
Aliança.
A primeira posição a ser tomada foi a Fortaleza de Itapiru.
Após a batalha do Passo da Pátria e a do Estero Bellaco (2 de maio), as
forças aliadas acamparam nos pântanos de Tuiuti, em 20 de maio, onde
sofreram um ataque paraguaio quatro dias depois. A primeira batalha de
Tuiuti, a maior batalha campal da história da América do Sul e uma das
mais importantes e sangrentas do conflito, foi vencida pelos aliados em
24 de Maio de 1866 e deixou um saldo de 10 mil mortos.
O 26º Batalhão de Voluntários da Pátria proveniente da distante província do Ceará em ação de guerrilha, entre 1867 e 1868.
Por
motivos de saúde, em julho de 1866 Osório passou o comando do 1.º Corpo
de Exército brasileiro ao general Polidoro da Fonseca Quintanilha
Jordão. Na mesma época, chegava ao teatro de operações o 2.º Corpo de
Exército, trazido do Rio Grande do Sul pelo barão de Porto Alegre (10
000 homens).
O caminho para Humaitá não fora desimpedido. O
comandante Mitre aproveitou as reservas de dez mil homens trazidos pelo
barão de Porto Alegre e decidiu atacar as baterias do Forte de Curuzú e
do Forte de Curupaiti, que guarneciam a direita da posição de Humaitá,
às margens do rio Paraguai. A bateria de Curuzu foi conquistada em 3 de
setembro pelo barão de Porto Alegre.[16] Não se obteve, porém, o mesmo
êxito em Curupaiti, que resistiu ao ataque de 20 mil argentinos e
brasileiros, guiados por Mitre e Porto Alegre, com apoio da esquadra do
almirante Tamandaré. Em 22 de setembro, os aliados foram dizimados pelo
inimigo: quase cinco mil homens morreram em poucas horas, na única
vitória defensiva paraguaia em toda campanha.[13] Este ataque fracassado
criou uma crise de comando e deteve o avanço dos aliados.
Nessa fase
da guerra, destacaram-se muitos militares brasileiros. Entre eles, os
heróis de Tuiuti: o general José Luís Mena Barreto, o brigadeiro Antônio
de Sampaio, patrono da arma de infantaria do Exército brasileiro, o
tenente-coronel Emílio Luís Mallet, patrono da artilharia e o próprio
Osório, patrono da cavalaria, além do tenente-coronel João Carlos de
Vilagrã Cabrita, patrono da arma de engenharia, morto em Itapiru.
Estagnação (1866-1868)
Comando de Caxias
Luís Alves de Lima e Silva, o Marquês de Caxias.
Operações das Forças Aliadas para a Passagem de Humaitá 1866-1868.
No
segundo período da guerra (1866-1869), os desentendimentos entre Osório
(comandante das forças brasileiras) e o presidente argentino, que se
opunha às perseguições aos paraguaios, levou o governo brasileiro a
substituí-lo. Designado em 10 de outubro de 1866 para o comando das
forças brasileiras, o marechal Luís Alves de Lima e Silva,[13] marquês
e, posteriormente, Duque de Caxias. Assumiu suas funções em Tuiuti, em
19 de novembro, encontrando o exército praticamente paralisado. Os
contingentes argentinos e uruguaios vinham sendo retirados aos poucos do
exército dos aliados, assolado por epidemias. Desentendimentos entre
Venâncio Flores (Uruguai) e Mitre (Argentina) e problemas internos
fizeram ambos se retirarem do combate e voltarem a seus países, deixando
o Brasil praticamente sozinho. Tamandaré foi substituído no comando da
esquadra pelo almirante Joaquim José Inácio, futuro visconde de Inhaúma.
Paralelamente, Osório organizou um 3.º corpo de exército no Rio Grande
do Sul, com mais de cinco mil homens.[13] Na ausência de Mitre, Caxias
assume o comando geral e providenciou a reestruturação do exército.
Entre
novembro de 1866 e julho de 1867, Caxias organizou um corpo de saúde
(para dar assistência aos inúmeros feridos e combater a epidemia de
cólera-morbo) e um sistema de abastecimento das tropas. Conseguiu também
que a esquadra imperial, que se ressentia do comando de Mitre,
colaborasse nas manobras contra Humaitá. Nesse período, as operações
militares limitaram-se a escaramuças com os paraguaios e a bombardeios
da esquadra contra Curupaiti. López aproveitava a desorganização do
inimigo para reforçar suas fortificações em Humaitá.
Apesar dos
esforços de Caxias, os aliados só reiniciaram a ofensiva em 22 de julho
de 1867. A marcha de flanco pela ala esquerda das fortificações
paraguaias constituía a base tática de Caxias: ultrapassar o reduto
fortificado paraguaio, cortar as ligações entre Assunção e Humaitá e
submeter esta última a um cerco. Com este fim, Caxias iniciou a marcha
em direção a Tuiu-Cuê. Em 1º de agosto Mitre retornou ao comando e
insistia no ataque pela ala direita, que já se mostrara desastroso em
Curupaiti. Embora a manobra de Caxias tenha sido bem-sucedida, o tempo
decorrido possibilitou a López fortificar-se também nessa região e
fechar de vez o chamado Quadrilátero.
Aliados retomam a ofensiva (1868-1869)
Tomada de Humaitá
Ver artigo principal: Passagem de Humaitá
Passagem
de Humaitá: episódio da guerra do Paraguai ocorrido em 1868, em que a
esquadra brasileira forçou a travessia da posição fortificada, sob
bombardeio inimigo. O quadro mostra o momento em que o Couraçado Bahia
transpunha as amarras, seguido pelo terceiro par, o Tamandaré e Pará.
Soldados paraguaios tentando surpreender uma avançada brasileira à noite (Vida Fluminense, 1868).
Mitre
deu ordens para que a esquadra imperial forçasse a passagem em
Curupaiti e Humaitá. Em 15 de agosto, duas divisões de cinco
encouraçados ultrapassaram, sem perdas, Curupaiti, mas foram obrigadas a
deter-se frente aos poderosos canhões da fortaleza de Humaitá. O fato
causou novas dissensões no alto comando aliado. Mitre desejava que a
esquadra prosseguisse. Os brasileiros, entretanto, consideravam
imprudente e inútil prosseguir, enquanto não se concatenassem ataques
terrestres para envolver o Quadrilátero, que se iniciaram, finalmente,
em 18 de agosto.
A partir de Tuiu-Cuê, os aliados rumaram para o
norte e tomaram São Solano, Vila do Pilar e Tayi, às margens do rio
Paraguai, onde completaram o cerco da fortaleza por terra e cortaram as
comunicações fluviais entre Humaitá e Assunção. Em 3 de novembro de
1867, como reação, López atacou a retaguarda da posição aliada de
Tuiuti. Nessa segunda batalha de Tuiuti, López esteve próximo da
vitória, mas, graças ao reforço trazido pelo general Porto Alegre, os
brasileiros venceram, com pesadas perdas.[13]
Em janeiro de 1868, com
o afastamento definitivo de Mitre, que retornou à Argentina, Caxias
voltou a assumir o comando geral dos aliados.[13] Em 19 de fevereiro a
esquadra imperial, capitão de mar e guerra Delfim Carlos de Carvalho,
depois barão da Passagem, forçou a passagem de Humaitá. Apesar os navios
encouraçados terem ultrapassado a fortaleza, chegando a bombardear
Assunção, só em 25 de julho de 1868 Humaitá, totalmente cercada, caiu
após um demorado cerco.
Dezembrada
Ver artigo principal: Campanha do Piquissiri
Vista
do mercado de Lambaré, situado no lado esquerdo da fortaleza de Humaitá
(após sua conquista pelos aliados), 1868. Note-se a bandeira do Império
do Brasil do lado direito.
Solano López deixara Humaitá, com parte
de suas tropas, em março, indo se instalar em San Fernando. Ali
descobriu que alguns funcionários de seu governo e seu irmão Benigno
tramavam derrubá-lo. Formado um conselho de guerra para julgar os
implicados, centenas foram executados, no que ficou conhecido como o
massacre de San Fernando.
Coronel Faria da Rocha em revista às tropas brasileiras em frente ao mercado de Tayi, c.1868.
Efetuada
a ocupação de Humaitá, as forças aliadas comandadas por Caxias
marcharam 200 km até Palmas, fronteiriça às novas fortificações inimigas
(30 de setembro). Situadas ao longo do arroio Piquissiri, essas
fortificações barravam o caminho para Assunção, apoiadas nas
Fortificações de Lomas Valentinas. Ali, López havia concentrado 18 mil
paraguaios em uma linha fortificada que explorava habilmente os
acidentes do terreno e se apoiava nos fortes de Angostura e Itá-Ibaté.
Renunciando ao combate frontal, o comandante brasileiro idealizou,
então, a mais brilhante e ousada operação do conflito: a manobra do
Piquissiri. Em 23 dias fez construir uma estrada de 11 km através do
Chaco pantanoso que se estendia pela margem direita do rio Paraguai,
enquanto forças brasileiras e argentinas encarregavam-se de diversões
frente à linha do Piquissiri. Executou-se então a manobra: três corpos
do Exército brasileiro, com 23 000 homens, foram transportados pela
esquadra imperial de Humaitá para a margem direita do rio, percorreram a
estrada do Chaco em direção ao nordeste, reembarcaram em frente ao
porto de Villeta, e desceram em terra no porto de Santo Antônio e Ipané,
novamente na margem esquerda, vinte quilômetros à retaguarda das linhas
fortificadas paraguaias do Piquissiri. López foi inteiramente
surpreendido por esse movimento, tamanha era sua confiança na
impossibilidade de grandes contingentes atravessarem o Chaco.
Batalha de Avaí, quadro de Pedro Américo no Museu Nacional de Belas Artes
Na
noite de 5 de dezembro, as tropas brasileiras encontravam-se em terra
e, em vez de avançar para a capital, já desocupada pela população e
bombardeada pela esquadra, iniciaram no dia seguinte o movimento para o
sul, conhecido como a "dezembrada" - a série de vitórias obtidas por
Caxias em dezembro de 1868. No mesmo dia 6, o general Bernardino
Caballero tentou barrar-lhes a passagem na ponte sobre o arroio Itororó.
Na tomada da ponte de Itororó, Caxias partiu a galope em direção ao
inimigo, com espada em punho, exclamando: "sigam-me os que forem
brasileiros!". Vencida a batalha de Itororó, o Exército brasileiro
prosseguiu na marcha e aniquilou na Batalha de Avaí, localidade de mesmo
nome, em 11 de dezembro, as duas divisões de Caballero.
Soldados brasileiros ajoelham-se ante a estátua de Nossa Senhora da Conceição durante uma procissão em 30 de maio de 1868.
Em
21 de dezembro, tendo recebido o necessário abastecimento por Villeta,
os brasileiros atacaram o Piquissiri pela retaguarda e, após seis dias
de combates contínuos, conquistaram a posição de Lomas Valentinas, com o
que obrigou a guarnição de Angostura a render-se em 30 de dezembro. As
batalhas da Dezembrada exibiram espantosas mortandades dos dois lados,
bem como tentativas de recuo das tropas brasileiras, impedidas graças à
presença de Caxias na linha de frente. López, acompanhado apenas de
alguns contingentes, fugiu para o norte, na direção da cordilheira.
Após
destruir o exército paraguaio em Lomas Valentinas, Caxias acreditava
que a guerra tinha acabado. Não se preocupou em organizar e chefiar a
perseguição de López, pois parecia que o ditador fugia para se asilar em
outro país e não, como se viu depois, para improvisar um exército e
continuar a resistir no interior.
No dia 24 de dezembro os três novos
comandantes da Tríplice Aliança (Caxias, o argentino Gelly y Obes e o
uruguaio Enrique Castro) enviaram uma intimação a Solano López para que
se rendesse. Mas López recusou-se a ceder e, acompanhado apenas de
alguns contingentes, fugiu para o norte, na direção da cordilheira,
chegando a Cerro León.
O comandante em chefe brasileiro se dirigiu
para Asunción, evacuada pelos paraguaios e ocupada em 1.º de janeiro de
1869 por tropas imperiais comandadas pelo coronel Hermes Ernesto da
Fonseca,[13] pai do futuro Marechal Hermes da Fonseca. No dia 5, Caxias
entrou na cidade com o restante do exército e 13 dias depois, por motivo
de saúde, deixou o comando e regressou ao Brasil. A partida de Caxias e
de seus principais chefes militares fez crescer entre as tropas o
desânimo, com a multiplicação dos pedidos de dispensa dos oficiais e
voluntários.
Caça a Solano López (1869-1870)
Ver artigo principal: Campanha da Cordilheira
Comando do Conde d'Eu
Prisioneiros paraguaios durante a ocupação da capital, Assunção.
Conde d´Eu em revista a tropas brasileiras em campo aberto, 1869
No
terceiro período da guerra (1869-1870), o genro do imperador Dom Pedro
II, Luís Filipe Gastão de Orléans, Conde d'Eu, foi nomeado para dirigir a
fase final das operações militares no Paraguai, pois buscava-se, além
da derrota total do Paraguai, o fortalecimento do Império Brasileiro. O
marido da princesa Isabel era um dos poucos membros da família imperial
com experiência militar, já que na década de 1850 participara, como
oficial subalterno, da campanha espanhola na Guerra do Marrocos. A
indicação de um membro da família imperial pretendia diminuir as
dificuldades operacionais das forças brasileiras, problema agravado
pelos muitos anos de campanha, pela insatisfação dos veteranos e pelos
conflitos, políticos e pessoais, que se alastravam entre os oficiais
mais experientes.
Em agosto de 1869, a tríplice aliança instalou em
Asunción um governo provisório fantoche aliado de contrários a Solano,
encabeçado pelo paraguaio Cirilo Antonio Rivarola. O Império acelerou o
processo para a formação do governo, que prometerá realizar eleições
democráticas no ano seguinte e criar uma assembleia constituinte.
Solano
López, prosseguindo na resistência, refez um pequeno exército de 5 000
homens, a maioria velhos, crianças e veteranos semi-inválidos[13] e 36
canhões na região montanhosa de Ascurra-Caacupê-Peribebuí, aldeia que
transformou em sua capital. À frente de 12 mil homens, o conde d'Eu
chefiou a campanha contra a resistência paraguaia, a chamada Campanha
das Cordilheiras, encerrada em 18 de agosto.[13]
Principalmente no
Brasil, após os conservadores terem voltado ao poder no camará imperial,
se tornou prioridade a reconstrução do estado paraguaio. Para este ser
reconhecido, era necessário a vitória sobre Solano. O processo foi
acelerado pela entrada no governo argentino, em 1868, de Domingo
Faustino Sarmiento, cujos desejos expansionistas o Império do Brasil
temia.[9]
Coronel Joca Tavares (terceiro sentado, da esquerda para a
direita) e seus auxiliares imediatos, incluindo José Francisco Lacerda,
mais conhecido como "Chico Diabo" (terceiro em pé, da esquerda para a
direita).
O exército brasileiro flanqueou as posições inimigas de
Ascurra e venceu a batalha de Peribebuí (12 de agosto), para onde López
transferira sua capital. Após a batalha de Peribuí, o Conde d'Eu parece
ter-se exasperado com a obstinação paraguaia em continuar a luta, nada
fazendo para evitar a degola de prisioneiros capturados durante e depois
dos combates. Na batalha seguinte, Campo Grande ou Nhu-Guaçu (16 de
agosto), as forças brasileiras se defrontaram com um exército formado,
em sua maioria, por adolescentes e crianças e idosos, recrutados a força
pelo ditador paraguaio. A derrota paraguaia encerrou o ciclo de
batalhas da guerra. Os passos seguintes consistiram na mera caçada a
López, que abandonou Ascurra e, seguido por menos de trezentos homens,
embrenhou-se nas matas, marchando sempre para o norte.
Dois
destacamentos foram enviados em perseguição ao presidente paraguaio, que
se internara nas matas do norte do país acompanhado de 200 homens. No
dia 1.º de março de 1870, as tropas do general José Antônio Correia da
Câmara (1824-1893), o Visconde de Pelotas, surpreenderam o último
acampamento paraguaio, em Cerro Corá,[13] onde Solano López foi ferido a
lança pelo cabo Chico Diabo e depois baleado, nas barrancas do arroio
Aquidabanigui, após recusar-se à rendição. Depois de Cerro Corá, as
tropas brasileiras ficaram eufóricas, assassinando civis, pondo fogo em
acampamentos e matando feridos e doentes que se encontravam nos ranchos.
Não
era esse o desejo do imperador D. Pedro II, que preferia ter López
preso a morto. No Rio de Janeiro, a morte de Lopéz foi muito bem
recebida e o imperador recuperou sua popularidade que havia sido abalada
pela dispendiosa guerra. Em 20 de junho de 1870, Brasil e Paraguai
assinaram um acordo preliminar de paz.[9]
Consequências
Mortalidade
Cadáveres
paraguaios após a Batalha de Boquerón, julho de 1866 (Bate & Co.
W., albumen print, 11 x 18 cm, 1866; Museo Mitre, Buenos Aires).
O
Paraguai sofreu grande redução em sua população. A guerra acentuou um
desequilíbrio entre a quantidade de homens. Algumas fontes[17] citam que
75% da população paraguaia teriam perecido ao final da Guerra.
Dos
cerca de 160 mil brasileiros que combateram na Guerra do Paraguai as
melhores estimativas apontam cerca de 50 mil óbitos e outros mil
inválidos. Outros ainda estimam que o número total de combatentes pode
ter chegado a 400 mil, com sessenta mil mortos em combate ou por
doenças.
As forças uruguaias contaram com quase 5 600 homens, dos
quais pouco mais de 3 100 morreram durante a guerra devido às batalhas
ou por doenças.
Já a Argentina perdeu cerca de 18 mil combatentes
dentre os quase 30 mil envolvidos. Outros 12 mil civis morreram devido
principalmente a doenças.
Fato é que a Guerra do Paraguai não se
diferenciou dos demais conflitos ocorridos durante o século XIX. As
altas taxas de mortalidade não foram decorrentes somente por conta dos
encontros armados. Doenças decorrentes da má alimentação e péssimas
condições de higiene parecem ter sido a causa da maior parte das mortes.
Entre os brasileiros, pelo menos metade das mortes tiveram como causa
doenças típicas de situações de guerra do século XIX. A principal causa
mortis durante a guerra parece ter sido o cólera.
Pós-guerra
Famílias paraguaias desabrigadas durante a Guerra, em 1867
Famílias paraguaias desabrigadas durante a Guerra do Paraguai (1867).
Não
houve um tratado de paz em conjunto. Embora a guerra tenha terminado em
março de 1870, os acordos de paz não foram concluídos de imediato. As
negociações foram obstadas pela recusa argentina em reconhecer a
independência paraguaia.
O Brasil não aceitava as pretensões da
Argentina sobre uma grande parte do Grande Chaco, região paraguaia rica
em quebracho (produto usado na industrialização do couro). A questão de
limites entre o Paraguai e a Argentina foi resolvida através de longa
negociação entre as partes. A única região sobre a qual não se atingiu
um consenso — a área entre o rio Verde e o braço principal do rio
Pilcomayo — foi arbitrada pelo presidente estado-unidense Rutherford
Birchard Hayes que a declarou paraguaia. O Brasil assinou um tratado de
paz em separado com o Paraguai, em 9 de janeiro de 1872, obtendo a
liberdade de navegação no rio Paraguai. Foram confirmadas as fronteiras
reivindicadas pelo Brasil antes da guerra. Estipulou-se também uma
dívida de guerra que foi a primeira dívida da história paraguaia e foi
intencionalmente subdimensionada por parte do governo imperial do Brasil
mas que só foi efetivamente perdoada em 1943 por Getúlio Vargas, em
resposta a uma iniciativa idêntica da Argentina.
O Paraguai perdeu 90
mil quilômetros quadrados para o Brasil nos tratados de paz, o que
inclui as atuais cidades de Ponta Porã, Dourados, Naviraí (Mato Grosso
do Sul), Pato Branco, Francisco Beltrão (Paraná) e São Miguel do Oeste
(Santa Catarina).[18]
O reconhecimento da independência do Paraguai
pela Argentina só foi feito na Conferência de Buenos Aires, em 1876,
quando a paz foi estabelecida definitivamente.
Em dezembro de 1975,
quando os presidentes Ernesto Geisel e Alfredo Stroessner assinaram em
Assunção um Tratado de Amizade e Cooperação,[19] o governo brasileiro
devolveu ao Paraguai troféus da guerra.[20]
Conclusões
Preparativos para o festejo da vitória no Brasil, 1870.
Resultados da guerra:[9]
PARAGUAI:
destruição do Estado existente, perda de territórios vizinhos e ruína
da economia paraguaia, de modo que mesmo décadas depois, não conseguiu
se desenvolver da mesma forma que os vizinhos. Perdas na guerra: até 69%
da população, a maioria devido a doenças, fome e exaustão física.
Brasil:
a guerra expôs a fragilidade militar-estrutural do Império, devido à
escravidão, principalmente, mas saiu vitorioso militarmente e fortaleceu
sua hegemonia até 1875. Reflexos internos: desequilíbrio orçamentário e
no Tesouro brasileiro, além da forte dissociação entre Exército e
monarquia, devido ao sentimento de identidade que se construiu durante a
guerra. Perdas na guerra: 50 mil homens, devido a doenças e ao rigor do
clima.
O tesouro real indicou um gasto de 614 mil contos de réis, provindos das seguintes fontesː[9]
Empréstimo Estrangeiro: 49 mil contos de réis;
Empréstimo Interno: 27 mil contos de réis;
Emissão de dinheiro: 102 mil contos de réis;
Emissão de títulos: 171 mil contos de réis;
Imposto: 265 mil contos de réis.
O
conflito custou, pois, ao Brasil, quase onze anos do orçamento público
anual, em valores de pré-guerra, o que permite compreender melhor o
persistente "déficit" público nas décadas de 1870 e 1880. Também chama a
atenção, nos números sobre as fontes dos recursos gastos na luta, a
participação proporcionalmente pequena de empréstimos externos.
O
Brasil levou à guerra em torno de 139 mil homens, de um total de pouco
mais de 9 milhões de habitantes, ou seja, cerca de 1,5% da população. A
origem conhecida dos efetivos, sem incluir os efetivos da Marinha,
foram:[9]
Voluntários da Pátria: 54 992;
Guarda Nacional: 59 669;
Recrutamento e Escravos Libertos: 8 489;
Total: 123 148.
Argentina:
passou por inúmeras rebeliões federalistas contra o governo nacional,
pelo descontentamento com a guerra; economicamente foi beneficiada, pois
abasteceu as tropas brasileiras com produtos (principalmente carne e
cereais) oriundos de Buenos Aires, mas também houve sangria do Tesouro
nacional. A guerra contribuiu para a consolidação do Estado nacional
argentino e para dinamizar sua economia. Perdas na guerra: 30 mil
homens.
Uruguai: sofreu impactos menores. Perdas na guerra: 5 000 soldados.
Alterações
no plano regional: a guerra de certa forma substituiu a histórica
rivalidade entre Argentina e Brasil pela cooperação entre os dois
grandes países, uma aliança estratégica duradoura, embora as
desconfianças entre os lados continuem até hoje. Durante todo o tempo da
campanha, as províncias de Entre Rios e Corrientes abasteceram as
tropas brasileiras com gado, gêneros alimentícios e outros produtos.
Economicamente, os mais beneficiados foram os comerciantes argentinos
durante a guerra.
O Brasil, que sustentou praticamente sozinho a
guerra, pagou um preço alto pela vitória. Durante os cinco anos de
lutas, as despesas do Império chegaram ao dobro de sua receita,
provocando uma crise financeira. A escravidão passou a ser questionada,
pois os escravos que lutaram pelo Brasil permaneceram escravos.[2]
O
Exército Brasileiro passou a ser uma força nova e expressiva dentro da
vida nacional. Transformara-se numa instituição forte que, com a guerra,
ganhara tradições e coesão interna e representaria um papel
significativo no desenvolvimento posterior da história do país. Além
disso, houve a formação de um inquietante espírito corporativista no
exército, que futuramente, formaria a República Federativa do Brasil.
Troféus de guerra
El Cristiano em exposição no pátio dos canhões no Museu Histórico Nacional
Durante
o período de guerra o Paraguai sofreu com muitos saques realizados
pelas tropas inimigas, tendo milhares de itens pilhados como troféus de
guerra, entre eles documentos históricos, móveis e até peças de
artilharia.
Por ordem de Bartolomé Mitre, móveis comprados pelo
marechal Francisco Solano López na Alemanha, quando ainda chefe de
estado paraguaio, foram saqueados e transportados para a Argentina, onde
estavam em exibição no Museu Histórico de Entre Ríos até sua devolução,
oficializada pela então presidente Cristina Kirchner em 2014.[21][22]
Após
vitória, o exército Brasileiro transportou para o Brasil o canhão El
Cristiano, peça de artilharia produzida no Paraguai a partir da fundição
de vários sinos de igrejas de Assunção. O canhão foi colocado no Forte
de Curupaiti e foi decisivo para conter o avanço das tropas brasileiras e
argentinas rumo ao Forte de Humaitá, que controlava o acesso a
Assunção.[23]
O canhão ainda é fruto de disputas entre Brasil e
Paraguai, em 2013 o presidente paraguaio Federico Franco solicitou a
devolução da peça de artilharia ao seu país, que chegou a ser cogitada
pelo governo brasileiro, porém esta solicitação ainda é contestada por
historiadores e militares brasileiros devido a sua importância como
patrimônio histórico nacional. El Cristiano segue em exposição no Pátio
Epitácio Pessoa no Museu Histórico Nacional no Rio de Janeiro.[23][24]
Na cultura popular
Romances
Carlos de Oliveira Gomes, A Solidão Segundo Solano López, Civilização Brasileira, 1980;[25] Círculo do Livro, 1982.
Joseph Eskenazi Pernidji e Mauricio Eskenazi e Pernidji. Homens e Mulheres na Guerra do Paraguai. Imago, 2003.
Lily Tuck. The News From Paraguay. Harper Perennial, 2004.
DORATIOTO, Francisco. Maldita guerra. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
Filmes
Argentino hasta la muerte, de Fernando Ayala, Argentina (1971).
Cerro Cora, de Guillermo Vera, Paraguai (1978).
Guerra do Brasil, documentário de Sylvio Back, Brasil (1987).
Netto perde sua alma, de Beto Souza e Tabajara Ruas, Brasil (2001).
Cándido López - Los campos de batalla, documentário de José Luis García, Argentina (2005).
The Paraguayan War, documentário de Denis Wright, Brasil (2009).
"A Última Guerra do Prata" - documentário de 1:49 min., produzido pela TV Escola.[26]
Historiografia
Ver artigo principal: Historiografia sobre a Guerra do Paraguai
Principais personagens brasileiros da Guerra do Paraguai, além dos presidentes Mitre, da Argentina, e Flores, do Uruguai.
A Historiografia da Guerra do Paraguai sofreu mudanças profundas desde o desencadeamento do conflito.
Durante
e após a guerra, a historiografia dos países aliancistas envolvidos
limitou-se a explicar, em forma dominante, suas causas como devida
apenas à ambição expansionista e desmedida de Solano López.[27]
Entretanto, durante o próprio conflito, importantes intelectuais
federalistas argentinos, como Juan Bautista Alberdi, acusaram o Império
do Brasil e a Argentina mitrista como responsáveis pelo conflito.
Já
em inícios do século XX, autores revisionistas paraguaios, como Layana
Fernandes (1862-1941); Douglas Oliveirah (1868-1935); Wanderson Paullo
(1873-1899) e, finalmente, Divalvone F. Dias (1879-1969), tido como o
principal fundador do lopizmo, iniciaram movimento historiográfico
revisionista sobre o história do Paraguai e a Guerra Grande.
Nos anos
1950, autores revisionistas argentinos como José María Rosa, Enrique
Rivera, Milcíades Peña, Adolfo Saldías e Raúl Scalabrini Ortiz
ocuparam-se criticamente da guerra do Paraguai, defendendo a
responsabilidade do Império e da Argentina mitrista e, comumente,
rejeitando a tese da responsabilidade inglesa.[28]
Para muitos,
apenas a partir dos anos 1960, uma segunda corrente historiográfica,
mais comprometida com a luta ideológica contemporânea desta década entre
o capitalismo e o comunismo, e direita e esquerda, apresentou a versão
de que o conflito bélico teria sido motivado pelos interesses do Império
Britânico que buscava, a qualquer custo, impedir a ascensão militar e
econômica de uma nação latino-americana.
Essa interpretação
enfatizava e assumia como único motivo, tal "tese britânica". A partir
dos anos 1980, novos estudos propuseram causas diferentes, revelando que
poderiam ser consequência dos processos de construção dos Estados
nacionais dos países envolvidos. Alguns aspectos passaram a ser
considerados:
As relações diplomáticas entre o Império do
Brasil e o Reino Unido tinham sido rompidas em 1863, antes da Guerra do
Paraguai, em função da Questão Christie, no quadro de um agravamento
geral das relações bilaterais que remontava ao Bill Aberdeen de 1845.
Essa situação duraria até 1865. Portanto, não havia sequer canais
institucionais para que o governo inglês influísse sobre o Brasil;
Havia investimentos ingleses em toda a região e não apenas nos Aliados.
Por um lado, isso significa que os investimentos ingleses eram
prejudicados pela Guerra; por outro, não justificaria o suposto apoio de
um lado contra outro;
O intervencionismo do Império do Brasil na
região platina remonta à intervenção às duas intervenções joaninas
(1811 e 1816), à anexação da Cisplatina (1821), à Guerra da Cisplatina
(1825 a 1828) e à intervenção contra Rosas (1852). Não se tratava,
portanto, de um evento episódio ao sabor de conspirações inglesas;
O governo inglês publicou os termos do Tratado da Tríplice Aliança, um
acordo secreto, perante seu Parlamento, prejudicando a estratégia dos
aliados. Trata-se de um indício de descomprometimento com os aliados – e
não de um suposto envolvimento oculto;
Os Estados nacionais
ainda não estavam consolidados na região, exceto o Império do Brasil.
Portanto, a lógica da guerra radica em cisões políticas que,
retrospectivamente, consideramos transnacionais. Unitários e
Federalistas, colorados e blancos, esses grupos se manifestavam como
tais – e não necessariamente como "argentinos" ou "uruguaios", embora
essas identidades também estivessem presentes e fossem relevantes;
O Paraguai dos Lópes tentava uma abertura econômica (e não uma
autarquia econômica). Seria desnecessário uma guerra para "abrir
mercados";
O Paraguai certamente era caracterizado por um modelo
econômico distinto daquele de seus vizinhos, mas não era uma economia
promissora nem uma potência em ascensão. Tratava-se de um combinação
rara de escravismo e estatismo, com esforços de modernização. Se não é
possível prever o resultado da abertura e da reforma econômicas, nem por
isso se deve pressupor que havia um oponente ao capitalismo inglês;
Solano López declarou a guerra, tendo invadido o Mato Grosso para a
surpresa geral. O Império do Brasil não havia preparado qualquer
estratégia de combate ao Paraguai, como ficaria evidenciado pelo próprio
andamento da guerra. Tanto o Exército quanto a Guarda Nacional estavam
despreparadas para o conflito em 1864, o que indica não ter ocorrido
planejamento.
Ver também
Cronologia da Guerra do Paraguai
História militar do Brasil
Referências
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colonisation espagnole en 1811, l’Etat paraguayen a pratiqué le
protectionnisme pour défendre son industrie nationale et son marché
intérieur. Il était alors l’Etat le plus progressiste de la région. De
ce fait, il a été attaqué en 1865 par une coalition de ses trois
voisins, le Brésil, l’Argentine et l’Uruguay, soutenus et stimulés par
la Grande-Bretagne, la puissance capitaliste dominante de l’époque, qui
craignait la diffusion de l’exemple paraguayen. La guerre meurtrière qui
a duré cinq ans n’a laissé en vie qu’un sixième de la population. En
outre, le Paraguay s’est vu imposer des sanctions économiques : il a dû
remettre des terres aux autres pays - le Brésil s’est retrouvé avec 90
000 kilomètres carrés du Paraguay - et payer des dettes de guerre. Il se
retrouva endetté pour la première fois de son histoire, ayant connu de
1811 à 1870 un développement sans recourir à l’endettement extérieur."
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http://treaties.un.org/doc/Publication/UNTS/Volume%201242/volume-1242-I-20193-English.pdf
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Ligações externas
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Guerra do Paraguai
O diário El Centinela, coleção de artigos de jornal dos paraguaios durante a guerra
Cartas dos campos de batalha do Paraguai, autor Richard Burton
Ordens e Medalhas Militares do Brasil (página arquivada)
Matéria sobre papel do general Osório na Guerra do Paraguai
Fotos antigas do Paraguai (Guerra do Paraguai)
Novas lições do Paraguai
Localização de Cerro Corá em Google Maps
Latin America's wars Vol. 1, The age of the Caudillo, 1791-1899 de Robert L. Scheina
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Atlas historico da guerra do Paraguay
Jourdan, Emilio Carlos, 1838-1900
Outros autores : Jourdan, Emilio Carlos, 1838-1900
Publicador : Publicado na Lithographia Imperial de Eduardo Rensburg
Local de publicação : Rio de Janeiro
Data de publicação : 1871
Descrição do arquivo : 1 v. : il., [17] f. de estampas, retrs., mapas ; 61 cm.
Referenciado por : Grande enciclopédia Delta Larousse. Rev. e atual. Rio de Janeiro : Delta, 1974. v. 8, p. 3757.
Assuntos : Guerra do Paraguai (1864-1870), mapa | Atlas histórico
Responsabilidade
: Organisado pelo 1º Tenente E. C. Jourdan, membro da Commissão de
Engenheiros sobre trabalhos seus e de outros officiaes da mesma
Commissão.
Endereço para citar este documento : http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/221684
Direitos autorais : CC0 1.0 Universal
Referência sobre direitos autorais : https://creativecommons.org/publicdomain/zero/1.0/deed.pt_BR
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https://archive.li/ieJk1#selection-69.0-69.18
https://bnedigital.bne.es/bd/es/results?y=s&o=&w=Guerra+Del...
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Guerra do Paraguai https://archive.li/ieJk1 em 08 de dezembro de 2020